PERSPECTIVAS A RESPEITO DO NEOPAGANISMO
Na etimologia ´´pagão´´ vem do latim ´´paganu´´ que quer dizer camponês, um significado como se pode ver bem diferente do atual dicionarizado onde é centrado o significado principalmente como sendo referencia a toda religião que não seja cristã essencialmente orientada por noções politeístas marcadas pela superstição e formulação de doutrinas heréticas à luz dos ensinamentos cristãos.
Obviamente há certa margem da manipulação ideológica explicita na conceituação do que seja ´´pagão´´, deste modo temos a citar a situação bizarra de muçulmanos serem alçados a tal condição apesar de serem monoteístas bem como também cristãos não batizados ao nascer são classificados em tal ´´status´´de maneira pejorativa. Em outro extremo temos os budistas, hindus, taoistas e toda sorte de religião que variam entre o panteísmo , o henoteísmo, animismo e em certo grau até estão imersas em um ´´ateísmo´´ conceitual que não figurariam tão bem na idéia corrente do que seja pagão como alguém que estritamente presta adoração idolatra a vários deuses.
Contudo, a margem destas idiossincrasias, o sentido hoje concedido a palavra ´´pagão´´ abre pistas sobre como esta associação de sentido tão estreita ao cristianismo foi feita, pois as últimos núcleos de resistência cultural ao avanço desta religião veio justamente surgir de pessoas que moravam em regiões distantes das então grandes cidades, ou seja, o chamado ´´homem rude do campo´´. Em outros termos era o paganus / camponês.
Agora o neopaganismo parte de outro paradigma que é também de resistência cultural na essência só que em um sentido mais amplo em que o ´´homem culto da cidade´´ sai em busca de suas raízes ancestrais ou até mesmo de reviver um passado anterior ao surgimento da civilização judaico-cristã.
Adite-se, porém, que é um grande engano definir um neopagão como intrinsecamente ´´anti-cristão´´, apenas sim deseja, seja como cristão, judeu, mulçumano ou o que for, ir nas origens de tais movimentos religiosos quando nem tinham papel de relevo institucionalmente. Praticar, por exemplo, os ensinamento de Jesus ao tempo dos Apóstolos e das primeiras pregações. Isto é claro dentro da perspectiva dos que seguem uma certa linha de ação dentro do movimento neopaganismo, pois existem os que a idéia de ´´religião´´ nem passa perto salvo para servir como objeto de análise.
Não obstante, há para alguns neopagãos o resgatar de religiões ancestrais que culmina em um processo místico-transcendental particular, onde ritos sacros alternativos as crenças dominantes são determinados. Eis em poucas palavras os Wiccans, os Asatru e tantos outros.
Por sua vez, outros ficam restritos não bem em elaborar temas ´´mágicos´´ e no lugar procuram pela pesquisa de sociedades ante-cristãs construir elementos para formular reflexões e crítica bem agudas sobre os valores e hábitos do Mundo Contemporâneo tanto quanto há uma intensa dedicação em estudar sobre como era a vida humana em uma época mais primitiva em que as convenções sociais eram totalmente distintas dos dias de hoje. Aqui se situam grupos como os de celtistas e mitólogos de maneira geral
De toda forma o fundamental é compreender que o neopaganismo possui duas vertentes absolutamente diferentes, uma de natureza mais ´´esotérica´´ e outra de essência laica, fazendo que o movimento assuma características bem pouco homogêneas nas teses que defende bem como o não é possível definir perfil típico que caracterize um modo de ser ´´neopagão´´.